A depressão de Desterro

Hoje me ocorreu de perguntar a Desterro se estava tudo bem. Sem palavras, ela me respondeu apenas com chuva — que agora entendo como lágrimas.

Corri pegar um pacote de lenços e tratei de pôr uma água para esquentar. “Um chá vai acalmá-la”, pensei, e ela logo adormeceu. Entre um sonho e outro, Desterro ainda soluçava, em um sono agitado.

Olhei ao redor e entendi, finalmente, claro como os dias de sol dos quais tanto sinto falta. Cada poça d’água das ruas é, na verdade, uma mágoa sofrida pelos maus tratos de quem a habita. Desterro vive hoje  um relacionamento abusivo, cheio de pichações, lixos jogados na rua e carros que obstruem suas vias.

Passei  a ver em cada relâmpago e trovão, um soluço, um pedido de ajuda; e em cada gota de chuva, uma enxurrada de sentimentos complexos de mais para serem traduzidos em palavras.

Deixa o chá de lado… Desterro precisa mesmo é de cuidados de um especialista.

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