Madrugada insone

Quando o relógio marcou 3h, eu acordei. Meus olhos simplesmente se abriram num despertar inesperado e indesejado, e se recusaram a fechar novamente. Girei na cama, em torno de mim mesma, e tentei acalmar minha mente e coração… tentei adormecer novamente.

Sentada na cama, com o relógio marcando 3h15min, tentei calar as agonias e ouvir apenas o tique-taque do relógio, que repousava sobre o criado mudo, ao meu lado; tentei ouvir o contato do vento com os galhos de árvores, lá fora; e tentei até respirar a brisa noturna. Tomei água. Ouvi músicas relaxantes e fiz exercícios de respiração.

Esvaziei a cabeça das pessoas que me preocupam, da lista de afazeres e dos estresses cotidianos, mas meus olhos continuavam abertos, despertos e incômodos. Tentei escrever para aliviar a pressão dos dedos. Reocupei a mente com as tarefas do dia seguinte e com as pessoas de todos os dias, numa espécie de looping, mas a única coisa que realmente funcionou foi deixar de tentar.

Respirei fundo, sem paciência para tentar manter a mente vazia ou acompanhar as alternâncias de temas dos meus pensamentos… andei com os pés descalços e dancei no escuro, na passada de uma música que tocava dentro de mim e que, de tão interna, não produzia sons. Explodi em lágrimas – e, pra ser sincera, também em alergia.

Quando voltei pra cama, amanhecia dentro de mim.

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