Sobre as pessoas e as mudanças

Vendo uma nova foto do seu mais antigo namoradinho, concluiu em segundos que as pessoas não mudam — e esse pensamento a assustou mais do que ela queria admitir. Ela olhava, abismada, para a foto, pensando: “mesmo péssimo gosto fashion, mesma barba falhada, mesmo sorriso sapeca, de quem está prestes a aprontar”.

Depois deu por si já em frente ao espelho a analisar-se. Teria ela ainda o mesmo sorriso, o mesmo olhar?
Afora o corte de cabelo, teria mais alguma coisa mudado nela, algo essencial, algo… que talvez nem ela saiba?
À primeira vista, permanecia igual. Até mesmo aquela velha espinha na bochecha, no lado esquerdo do rosto, permanecia ali.
Despiu-se e analisou o corpo, cada centímetro.
Percorreu mentalmente a lista de livros que havia lido e de álbuns que havia ouvido numa vã tentativa de acreditar que se nada houvesse mudado, ainda assim ela seria agora, pelo menos, mais culta.
Analisou os relacionamentos que se seguiram àquele primeiro, as outras histórias que vivenciou, outras soluções que encontrou.
(…)
Respirou, aliviada, ao perceber que havia sim mudado por dentro, embora por fora as alterações não fossem tão gritantes. E sentiu não só o mesmo medo, mas também pavor quando se perguntou, sem querer:

— Mas… será que mudei pra melhor?

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